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27 de ago. de 2010

o imbecil


Trecho do livro HitchGirl de La Baronne- sucesso na França:


"O imbecil é o homem que não dá à companheira o devido respeito e, ainda por cima, quer ter sempre razão. É aquele que foge das responsabilidades e não as assume. É aquele que menospreza a “amada” para aumentar seu ego de cretino. É contra ele que me posiciono e encorajo as mulheres a destruí-lo.
Aquele que conduz o mundo à deturpação e que tem o dom natural para a degradação do conceito de casal. Aquele que fala mal das mulheres, as trata de modo humilhante e que se satisfaz ao agir como um fanfarrão soberbo. É o “metido a gostosão”, que quer aparecer custe o que custar, e que tenta apagar a presença da parceira. Aquele que vive só para enganar. Um grande covarde, que merece a coroa da arrogância e o troféu de “lixo humano”. Aquele de quem nenhuma mulher está protegida – nem contra sua língua, nem contra suas mãos. Um hipócrita dos tempos modernos que mente ao falar, que não cumpre nenhuma promessa e que, quando alguém lhe confia um segredo, revela-o sem o menor escrúpulo. Esse é o imbecil! Eu poderia denegrir a imagem dele por horas. Eu adoraria fazer isso e preencher o vazio destas páginas brancas, utilizando-as para lhe proteger das palavras “encantadoras” desse tipo de homem."



Quem conhece um imbecil?! Quem conhece DOIS? Ou DEZ? Ou trocentos??


Eu já passei por vários (trabalho com 2 ou três) o imbecil não passa de um egocêntrico... que na verdade é um inseguro. Ele mantém nossa posição de segundo sexo, porque só assim ele se banca. É o engraçadão, é aquele que fala que o amigo que vai casar "foi amarrado". É aquele coleguinha de trabalho que faz piada de mulher com o chefão, porque é mais fácil do que realmente ser competente. É aquele vizinho que te chama de mal amada, sendo que nem a mãe gosta dele. É aquele amigão do seu irmão que toma banho de perfume para impressionar uma garota diferente que a cada ano fica mais nova.


É contra o imbecil que lutamos, for always and eternity.




30 de mar. de 2009

paixão


"Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo. Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. As vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante."

Clarice Lispector, "Felicidade clandestina".
foto: Matthew Dols

22 de dez. de 2008

Demasiado Excessiva

Li uma coisa maravilhosa enquanto vinha para o trabalho.

Estou lendo um livro que pretende desmistificar maio de 68 para os franceses. Para quem não tem a menor idéia do que estou falando (não se sinta diminuído... Eu sei quase nada!), em maio de 1968 tiveram uma série de manifestações ao redor do mundo, o que o marcou como um ano da juventude revolucionária de esquerda.
Após 1968, vimos ascender no mundo, inúmeros governos de esquerda, inclusive, um fenômeno que aconteceu na América Latina muito recentemente. De qualquer forma, ele dá vários motivos que mostram que após 68, a França caiu no marasmo, e essa esquerda que ainda se dá o direito de se autoproclamar "revolucionária", só chafurda na hipocrisia e moralismo-marxista tal qual o conservadorismo preconceituoso da direita...
Blablablá...

A frase que eu li e que fiquei deeeeeliciada dizia o seguinte sobre a esquerda:

"uma ingenuidade demasiado excessiva para permanecer honesta" - (Maio de 68 explicado a Nicolas Sarkozy - pg.166)

Essa frase me deixou enlouquecida!! Vou repeti-la para o resto da vida! Citar no almoço de família, fazer redação da Fuvest, ensinar para os meus filhos, gritar no ouvido da atendente da Telefônica! Vou gastar sem fim!

Lógico, que pensei em coisas muito mais ridículas e cotidianas quando li (e não no paralelo entre a política brasileira e a francesa!). Pensei em algumas pessoas que conheço, que de tão fofas e meigas e perfeitas e educadas e corretas e do bem... Me cansam. (Booooooooring =p)
Agora, passo a acreditar ainda menos nelas!
Para além do bem e do mal, please!

14 de nov. de 2008

mais nerdeza

Festa do Livro da USP

DIA 3

COSAC NAIFY
Elementos do estilo tipográfico - Robert Bringhurst
Era uma vez uma capa - Alan Powers
Malagueta, Perus e Bacanaço - João Antonio
Abraçado ao meu rancor - João Antonio
O vermelho e o negro - Stendhal
O olho e o espírito - Maurice Merleau-Ponty


EDUSP
O dicionário do livro - Maria Isabel Faria e Maria da Graça Pericão


Ainda bem que foi o último dia!Meu cartão de crédito não agüentaria mais um.
A festa do livro foi ótima, é lindo ver um evento que se baseia apenas em livros (sem fogos de artifício ou big x-picanha como a bienal) e mesmo assim lota de gente. Todos ali, pra comprar livros. A editora xiita dentro de mim está revisando e cantando nesse momento!

E só porque é sexta:


13 de nov. de 2008

to be a nerd


Feira da USP

Dia 1:
Nova Fronteira:
Camus e Sartre – Ronald Aronson
A velhice – Simone de Beauvoir

Gramática da Língua Portuguesa – Bechara
A consciência de Zeno – Italo Svevo

Conrad:

Calvin: Criaturas bizarras de outro planeta! – Bill Waterson
Calvin: Yukon Ho! – Bill Waterson
Calvin: Tem alguma coisa babando embaixo da cama – Bill Waterson
Calvin e Haroldo: e foi assim que tudo começou – Bill Waterson
A greve da Arte – Stewart Home
Aventuras de uma psedovirgem – Iris Bahr
O visitante noturno – B. Traven

Unesp:
História das mulheres no Brasil – Mary del Priore (org.)
História da Leitura – Steven Roger Fischer
O corpo feminino em debate – Maria Izilda S. de Matos e Rachel Soihet

Alcol/Edusp
Safo Novella -
Silvana Ruffier Scarinci

DIA 2
Paz e Terra:
A sociedade em rede – Manuel Castells
História da Sexualidade (1, 2 e 3) – Michel Foulcault

Via Lettera:

Minutos de estupidez: um livro de auto-destruição – Doutor Carneiro


a gente é nerd sim, so what?

26 de set. de 2008

tapa na pantera - o livro

meeooo! eu SUPER vou nisso! não adianta, essa coisa de tapa na pantera eu aprendi a amar depois de tanto falar mal dos "youtubistas" e Primavera dos livros já é cliente né. Pode contar, sábado, amanhã, Mary Valadão estará no centro cultural SP de botinhas e camisa xadrez. Essa vida de editora xiita me mata, minha vida é fazer livro, passear em livraria, falar de livro, ler livro. Ainda se fosse um negócio mais hypado, tipo publicidade ou "escritora de contos urbano-eróticos", mas livro é meio religião mesmo. Te zoam, mas você não desiste.


Bem, é seriedade demais pra uma pessoa que tirou a sexta pra trabalhar com um chapéu de tio sam na cabeça... (ahãn, nesse exato momento)





ALLAH!



11 de set. de 2008

devaneios de uma editora

"Meu nome é Zíbia, quer dizer, não preciso falar, você já me conhece. Eu sou a rainha do busão, é verdade, lá eu domino. Mas você pode ter me visto no metrô, na casa da sua mãe, na mesa da secretária e até na pasta do seu chefe. Por quê? Eu domino, fia! Você sabe quem eu sou antes de saber quem você era. Eu vejo o além, e mais: eu vendo livro pracarai. No começo foi difícil, sabe como é, pra mãe-esposa-médium publicar não é mole. Eu tentava explicar pros editores: “foi o espírito que ditou, moço, acredita! Tá supimpa esse livro”, muita porta na cara, humilhação. Mas aí publiquei, não parei mais, vendi tanto que cansei de editor falando que era tudo uma bosta: tenho minha própria editora! Tô dizendo, esse país não é do Lula nem do petróleo não, é meu. Muito meu. Eu tenho suas respostas, eu tenho seu futuro, eu tenho seu dinheiro. Opa, quer dizer, tudo pelo espiritismo. E fui além, a gráfica também é minha, estou em todos os lugares. Não resista, eu te digo Onde está teresa, te faço achar que conhece O matuto, que Tudo valeu a pena. Você também vai dizer que O amor venceu, vai aceitar O amanhã. Eu sou isso, eu sou dessas, eu resisto aos Espinhos do tempo e vou seguindo. E vocês me seguem, que eu tô sabendo..."

pega eu