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9 de jun. de 2010

100 anos de Pagu

Hoje, Pagu completaria 100 anos de vida

"Esse crime, o crime sagrado de ser divergente, nós o cometeremos sempre"

"Se eu ainda tivesse unhas, enterraria meus dedos nesse espaço em branco que ainda resta"

"A liberdade e a prisão
Ter um barco que percorra
Distâncias incríveis
Saber remendar um sapato
Encontrar um amor
Amor de verdade
Ser vento, fogo ou carvão
Tudo, tudo, tudo
Menos esta ratoeira"

"Tenho várias cicatrizes, mas estou viva. Abram a janela. Desabotoem minha blusa. Eu quero respirar"

"Sou a única atriz.
É difícil para uma mulher
interpretar uma peça toda.
A peça é a minha vida,
meu ato solo".


Menina, inteligente, transgressora, idealista, provocadora, artista, apaixonada, enganada, desiludida, mãe, esposa, noiva, traída, vaidosa, sensível, medrosa... Obrigada.





9 de mai. de 2010

A bag of songs and a heavy heart

Há muito tempo eu não compro um CD. Até por que é bem mais fácil baixar e ouvir até enjoar. No entanto, como toda "chatinha musical", eu adoro uma coisa meio old school, e sempre fiz questão de comprar os CDs que eu achava muito perfeitos: bem gravados, com boas letras, com um intérprete bom, com compositores legais etc. Mania de "chatinhos musicais".

Aí, como recebi minhas férias, sem poder ter desfrutado do ócio, resolvi me jogar na Livraria Cultura e fazer a "chatinha musical". Eu estava, na verdade procurando alguns álbuns antigos (eu nunca compro CDs da moda até ter certeza de que eu não cansei das músicas), e fui direto tentar achar o primeiro da Adele. Eu sou louca por "Daydreamer", "Chasing Pavements", "Melt My Heart To Stone" e outras... Mas, não encontrei. Enquanto isso, peguei o da Duffy, um muito antigo da Alanis, e uns tantos outros.




Quando fui perguntar ao vendedor sobre o CD da Adele, ele me disse que eu podia encomendar por apenas R$ 69!!!!!!!!!! Quase cai dura! Achei um absurdo, queria surtar e xingar a Adele, perguntar quem ela pensava que era? Mas, aí, meu pensamentazinho uóóóóó, da minha educaçãozinha patriarcal, perdeu, e comecei a pensar se eu estaria achando o mesmo de um músico, homem, que tal o Bono? Que tal Elton John? Que tal Lennon/Paul/Ray/Elvis? Opaaaaa...

Eu não compraria, mas não acharia tão absurdo! Agora eu vou sempre à Livraria Cultura procurar o CD dela, e vou comprar assim que possível. Li há poucos dias um romance sobre a vida da revolucionária Olympe De Gougeous, que escreveu os Direitos da Mulher e da Cidadã, e ela diz que nós, mulheres, somos incapazes de apreciar e admirar o trabalho de outra mulher. Consumirei toda a forma de produção artística feminina que eu aprecie. Livros, filmes, quadras, imãs de geladeira... WHATEVER! Afinal, a história e a arte já fizeram a questão de coroar todos os Monets, Manets, Van Goghs, Leonardos, Shakespeares, Wildes, Beethovens, Fellinis... Faço questão de distribuir melhor os louros.




PS: o CD da Duffy eu comprei assim que tive minha epifania no meio da livraria lotada! E é lindjooooo!! Aguardo ansiosa o da Adele!!!!! Beijomeliga! (deixa sair um "Ximbica - Greatest Hits", então! Eu fico lokaaa)

4 de out. de 2009

morgana ready-made



(Lygia Pape, Ttéia, 2002. Obra que arrepiou os cabelos do povo na Bienal de Veneza. É Brasil-sil-sil rs)

Acho tão lindo quando as pessoas acreditam em magia, porque daí eu me sinto menos boba de acreditar, de colocar o nome de um desafeto no freezer e "congelar a pessoa", de suspirar pra mim mesma um segredo na hora de dormir esperando que aquele ritual faça ele virar realidade, de queimar foto de ex-namorado e tomar banho de sal grosso. O Jorge Coli hoje na folha fez esse paralelo arte/magia. Ele relacionou magia com a coisa de "acreditar" na obra, a partir do momento em que se acredita operam-se mudanças de visao etc. É isso mesmo. É um nome no freezer, uma foto que você põe fogo pra ver se assim some a dor. A obra existe pra quem acredita, dependendo de quem acredita (um crítico, um comprador) ela vale mais ou menos, tem poderes invisíveis desligados de religiões. É a aura de paganismo que não abandona a arte. Porque, normalmente, quem gosta tem aquele pézinho no terreiro. E vamos diferenciar quem gosta de quem apenas se beneficia, já vi críticos que não sentem nada, só analisam. Seria péssima crítica, só sei ser sentimento com as obras.
Uma obra tem o significado da carta de tarot (a pessoa que vos fala tira tarot), onde vemos as cores, posições dos personagens e existem significados que vão sendo desvelados, vamos cortando véus espessos de "realidade" pra chegar na simbologia que existe naquela situação, com aquela determinada carta, é tudo muito instintivo, exige sensibilidade ao mesmo tempo que exige aquele conhecimento prévio. É a Pont Neuf encapada do Christo e da Jeanne-Claude. A ponte tem o significado de passagem de fases, possuir essa passagem, embrulhar ela como um presente, como um pacote que pode ser entregado, tem lá o seu significado, foi o que ele fez pra comemorar sua cidadania francesa. Eu fico toda arrepiada com essas coisas, mas pra quem não curte é só "uma loucurinha de artista".
E isso já fez muita gente rígida e cheia de razão duvirar da minha capacidade intelectual, ainda faz muitos professores torcerem o nariz e muitas tias velhas me tratarem como adolescente que não faz ideia do que é a vida. Já levei muita bronca, muito pito por ser "leviana": "isso aí é decoração, não serve pra nada", "tarot é idiotice".
No fundo continuo achando muito lindo, com essa palavra bem leviana mesmo "lin-do", tomar esses pitos e saber que existe o "Nós" e o "Eles". Eles não acreditam, logo, o segredo é Nosso. O que a gente vive, por ser acreditado e inventado não pode ser sentido passivamente. "Eles" talvez nunca vão sentir isso como a gente, precisam de mais pra sentirem prazer, mais dinheiro, mais bebida, mais comida, mais conquistas amorosas. O prazer deles é factual enquanto o nosso pode ser inventado.
Eles precisam de dinheiro e de certeza e a gente de piada e de sal grosso.

25 de mai. de 2009

christo e jeanne claude


Estou amando essa foto para além das palavras. Esses dois velhinhos muito feios são o Christo e a Jeanne-Claude, artistas do novo realismo. O crítico de "pariu" o novo realismo, Pierre Restany, não cita a Jeanne-Claude ao falar dos trabalhos, apenas o Christo. (alerta de machismo, pééé) Mas os trabalhos foram sempre em conjunto, até hoje (no momento eles estão tentando cercar o rio Arkansas com estruturas metálicas, melhor que bingo, não?).
Descobrir a Jeanne-Claude e esse site me fez uma pessoa mais feliz, e, definitivamente, mais bem-humorada.


Você já cercou alguma coisa hoje?

30 de mar. de 2009

paixão


"Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo. Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. As vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante."

Clarice Lispector, "Felicidade clandestina".
foto: Matthew Dols

5 de mar. de 2009

as long as you love me...

Volta de Backstreet boys ao Brasil: luxo, poder, sedução. Oi? Cadê? Quando a gente tinha 10-11-12 anos esses caras eram a definição de homem gostoso. sonho de consumo que hoje tá mais pra sonhos de "descarte".

Bem me lembro...

Em 2001 no dia que eles vieram fazer o show em São Paulo aconteceu a minha festa de aniversário de 13 anos, e eu lembro de ter colocado o rádio no meio da festa pra que a gente pudesse ouvir a transmissão do show.


Os shows feitos no Brasil em 2001 atraíram tanto, mas tanto público que as imagens capturadas aqui foram usadas em clipes da banda. Não precisei pesquisar nada do que falo aqui, eu, como a maioria das pessoas da minha idade, tive o Backstreet boys na mente por muuuito tempo.


Mas essa volta deles tá um tanto quanto...

ai.. será que digo?
(tirem as crianças da sala, eu vou falar)

PATÉTICA!

Primeiro: Backstreet Boys sem Kevin não dá. NÃO DÁ.

Lembra do Kevin...




Ah. o Kevin...











O Kevin era o mais bonito e talentoso deles (pra mim, pra freak da Billie era o AJ), e, quando a turnê foi anunciada ele disse pra imprensa que isso era patético nas entrelinhas: "God bless you all, but I'm out". Que foi algo do tipo "Fi, tenho maizoquê fazê". Hoje na home do UOL tinha um vídeo do Brian pedindo para as pessoas IREM no show (tão ouvindo os sininhos do desespero?), enquanto isso na Folha a matéria de chamada era "Fomos os únicos que sobraram, temos que sobreviver" ou algo do tipo (não lembro e não vou passar o link, questões ideológicas).
Perdeu a magia.
Ninguém que eu conheço quis ir no show despirocar quando eles tocassem "Get Down" e olha que as pessoas do meu convívio curtem isso.
É o fim de uma era. Que deveria ter acabado mais cedo, sinto dizer.

Enquanto isso o jeito é ficar com as lições de moral, desejo, sedução e romance que as músicas antigas ainda nos trazem. Pensar que parte da nossa educação emocional também veio deles. Thanks boys!

"Once we were lovers
Just lovers we were
Oh what a lie
Once we were dreamers
Just dreamers we were
Both you and I

Now I see
you're just somebody
Who wastes all my time
And money
What a lie
You and I"
(de 10.000 promises - praticamente Kierkegaard )


decadência: define.


6 de fev. de 2009

o self-post


A Flawed Love Poem

“somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look will easily unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, mysteriously) her first rose

or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing


(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands”

— e.e. cummings


Tem dias que queremos ver o que nos apetece. Viva o Cummings, viva a Lempicka!

(self-post gente, eu fiz pra mim, fazer o quê? rs)