6 de mai. de 2010

Quando a gente pensa que perdeu...

Zlatan Ibrahimovic e Gerard Piqué, jogadores gostosões do Barcelona, que acabou de ser eliminado da Liga dos Campeões da Europa.
***
Não dá pra dizer nada… nem entra em questão a coisa do “será que ele é?” Mas é lindo pensar esse tipo de manifestação entre idolos do futebol (ainda mais do europeu, que aqui é endeusado). Seja carinho, seja o que for.

é isso aí, machos alpha, viadagem no futebol! onde vcs vão se esconder agora??

okay… tem os puteiros, e os butecos sujos, e o resto do planeta que ainda é de vcs…
mas o futebol já tá indo pro nosso lado! Weee!

4 de abr. de 2010

Tô vendo a CET!

Às vezes, eu me sinto muito desinformada... Um dia desses, no meio do trabalho eu descobri uma menina que pedia para o Rodrigo Faro dançar a Ximbica, uma música chamada “Ximbication”, no programa O Melhor do Brasil.

Com todo esse sucesso do Rebolation, do tal do Parangolé, achei que seria alguma coisa num ritmo baiano, cheia de malemolência, ou alguma coisa com muitas tecladinhos e calças boca de sino. Qual não foi a minha surpresa quando eu descobri essa fofura de ser humano!

Pra comemorar o loirão de Mary V.

Prometo que a primeira vez que eu pegar o carro após tirar a minha carta eu vou cantar essa música tão alto que meus ouvidos vão sangrar!

TÔ VENDO A CET!

28 de fev. de 2010

Por um dia melhor

E uma semana também...

Primeiro que tem a Shakira na fase loirão, que se transformou na mulher mais legal do mundo. Depois tem o Nadal que sempre foi uma paixão secreta... Tá, nem tão secreta... Depois que a segunda-feira está bem próxima e para você, que como eu, precisa começar uma coisa nova, talvez seja bem legal cair na fantasia de se achar meio "gipsy"...

E não precisa sair lendo mãos por aí (um passatempo que, confesso, adoro!! rs rs), mas já dá pra ir rodando o saiote e batendo o cabelo (She's a maniac, maniaaaac for loooove). Boas mudanças!


27 de jan. de 2010

Chiquitita

"No meio do caminho tinha uma pedra..."

E essa pedra na minha vida chama trabalho. Ou, melhor, a forma como eu encaro o trabalho. Como a minha relação com o trabalho ainda não está bem definida e ando numa crise séria de relacionamento, com todos os contornos de novela mexicana (a traição, o outro, a indiferença, o vilão, a choradeira), meu estômago está revirado e acabei passando o fim de semana bem uóóó.

Mas, encontrei uma ótima companhia. Estou enlouquecida por Chiquinha Gonzaga. Já gostava, mas não tanto quanto agora. Talvez tenha um pouco a ver com o feriado carnavalesco que eu e Mary V. teremos no grande Rio de Janeiro...

Pensei em fazer a piriguety do funk, a Helena do Manoel Carlos, mas agora quero fazer a Chiquinha no passeio público! Pois ela foi uma mulher maravilhosa, filha de mãe negra em uma época de racismo declarado, culta, divorciada e com mais de 50 anos se apaixonou por um adolescente.

Pianista, aprendeu a tocar violão no navio de guerra de seu primeiro marido, que tinha ciúme dela com a música. Primeira regente mulher e dona da primeira composição feita especialmente para o carnaval: "Ó Abre Alas".

Na madrugada de hoje, depois que parou de chover, saiu uma lua linda entre as nuvens, e eu ouvi "Sedutor" pelo computador, e achei que foi a música mais bonita já criada. Tá certo que logo encontro outra (deixa eu voltar a ouvir Beyonceeeeeeeeeee!!), mas por enquanto me contento em pedir proteção à Mestre Chiquinha das Mulheres Desesperadas!
Ajudai, mamita!

16 de jan. de 2010

Tradução Beleza de Garota II

Foi difícil escolher hoje entre a Tina Turner e a Roxette, mas quando vi o clipe decidi I-M-E-D-I-A-T-A-M-E-N-T-E optar pela tradução Beleza de Garota de Eurythmics!

Hoje, o amor está no ar, então:

There Must Be An Angel (Playing With My Heart)

Nanarunarararuna…

(olha apaixonada por cima do ombrinho)

Dana…

(olha o bofe refletido no chão)

Daraaaaa…

(fecha o olho e senty a magia)

Repete

Yey!

(Olha pra

câmera e dá close)

No one on Earth could feel like this

Ninguém imagina o bafo que tá rolando

I’m thrown and overblown with bliss

Tô de scarpin e repicado

There must be an angel

Deve ser esse anjão

Playing with my heart

Que tá me tirando de otária...

Yeeeaaaah

(mostra que tirou a amígdala)

I walk into an empty room

Eu fico sozinha no meu barraco

And suddenly my heart goes boom

E quase morro quando ouço os pipoco lá fora

It’s an orchestra of angels

São os anjão da minha escola de samba

And They are playing with my heart

Que tão me tirando de otária

Refrão (repete 12 vezes, girando e batendo o cabelão na pista)

Must be talking to an angel

Tô flertando com o anjão

(repete a parte do scarpin com repicado)

And when I think tha I’m alone

E quando eu vou de piriguety pra balada

It seems there’s more of us at home

Levo os bofes todos pra casa

It’s a multitude of angels

Tem anjão pra semana toda

And they are playing with my heart

E eles tão me tirando de otária

Repete refrão (6 vezes)

I must be hallucinating (faz os bofes cantarem no coral)

Eu tô ficando beeem lôca

Watching angels celebrating

Os anjão tirando a rôpa

Could this be reactivation?

Pode os bofe não cansá?

All my senses dislocating?

Já tá me dando piriri

This must be a strange deception

Vai ser phoda se os bofe não ligá

By celestial intervention

Vou amarrá em nome de Gezus

Giving me the recollection

Pra não ficar na saudade

Of Your heavenly connection

Da #$%@*@#$%&¨*@#$













(um bofe entra com a gaita e você faz a cigana)

(volta a parte social da música)

Nanarunarararuna…

(Junta todo mundo, chama as amiga)

Dana…

(... solta as pombas, pula nos unicórnios, pega os troco que tão jogando)

Daraaaaa…

(... e dá close de travesti) – Essa última parte é um plágio da Bixa Xoxota


É isso, amiga...

Se joga no romance, no amor, gruda no anjão e faz os trabalho se for preciso!

Beijo, tchau!

11 de jan. de 2010

Debbie Reynolds

Menina, eu estou com um encosto brabo e phoda, fia!

E estou musical pra dedéu! Comprei o DVD de Singing in the Rain... Eu já conhecia e amava, pois vi ainda criança e a cena da chuva sempre foi sinônimo de libertação (anotação blogal, Mary V. – precisamos fazer isso em 2010, please, don’t forget it).

Mas, quando assisti again... Sei lá, talvez pelo que sou hoje, nessas últimas 24h ou 24 meses, fiquei com Good Morning na cabeça... A história é banal, romântica, tem um príncipe... Mas, gostaria de chamar a atenção para “Ella” (of course... Você ESTÁ no Beleza de Garota, sweetheart).

O filme é de 1952 e ali está Debbie Reynolds, lindíssima e protagonista como Kathy Selden. Talvez eu não goste do olhar dócil e imaculado que Gene Kelly, o galã e diretor deu a ela, mas gosto do olhar de ousadia e força que Debbie deu à Kathy... Está tudo ali nas entrelinhas. Qualquer uma de nós é capaz de enxergar. O roteiro pode estar escrito, mas o que nós imprimimos de único em nossas personagens é o que torna tudo fantástico!



PS: Talvez eu só queira sair do bolo e dançar como uma piriguety também! Mas, isso também faz party, neah, tchutchuca!

Totalmente contra

Eu sou totalmente contra “O Pequeno Príncipe”.

Assim como fui contra Harry Potter, Crepúsculo, pescaria e cheiro de açougue. Na verdade, tem uma série de coisas as quais eu sou totalmente contra.

Contra “O Pequeno Príncipe”, afinal era livro de Miss e quando eu era criança tinha um desenho chato na televisão que me deixou com aversão. Nesse final de semana, assisti ao musical de 1974 e simplesmente... Mudei, bixaaaaa!

Achei as imagens lindas, as músicas ótimas, as danças incríveis, principalmente a serpente-Michael-Jackson que canta A Snake in the Grass, ou coisa parecida...

E sabe aquela cena clássica da raposa? Simplesmente linda... Mais uma vez, eu fiquei impressionada com a atuação de Gene Wilder, que na minha humilde opinião, foi tipo o Johnny Depp de seu tempo, sem AQUILO que torna o Jack Sparrow tão sexy mesmo sendo pirata! (looooooooongo suspiro)

Eu não estou fazendo uma crítica de cinema, só pra deixar claro!

Mas, hoje eu queria te pedir pra fazer nessa semana alguma coisa da qual você seja MUITO contra... Eu vi The Little Prince e fiquei realmente tocada, afinal nunca criei qualquer expectativa positiva...


Não digo que você está enganada, em relação a tudo o que acha de si mesma, amiguete... O filme Crepúsculo ainda foi uma graaaaaande perda de tempo da minha vida, tanto que li meus e-mails enquanto via o filme.

Durante muito tempo eu resisti a E o Vento Levou, e quando viu, fiquei completamente enlouquecida. Achei maravilhoso. E a pequena surpresa que tive quando o filme terminou, com certeza, valeu o risco de perder uma noite incrível para ver vampiros adolescentes emos enchendo o saco.

...Não é possível vencer todas...

E aí? Vai fazer alguma coisa da qual você é TOTALMENTE contra? Se não gostar, eu adoraria discutir a respeito... Assim como adoraria saber sua opinião em relação a O Pequeno Príncipe, Crepúsculo, o balé O Quebra-Nozes e o Big Brother que começa amanhã...

Afinal, a inteligência só sobrevive na discordância, minha cara!

Sijoooooooga!

7 de jan. de 2010

Bitch Ball

Hey, você que de vez em quando vem aqui no nosso humilde barraco!

Mary V. e eu estamos com uma novidade:

Bitch Ball – Bola para Mulheres

Para sua mãe, você diz que é BITCH BALL mesmo e ainda convida a fofa, pois ela vai adorar. A gente vai se encontrar algumas vezes ao longo do ano pra bater uma bolinha (ping-pong, futebol, tênis, frescobol, queimada, handebol, vôlei... O que der na telha) e beber umas brejas...


Uma coisinha só pra gente se divertir e lembrar de como era bom jogar bola com as meninas no tempo do colégio...

“Ah, mas eu nunca participei da educação física e eu sempre fazia minhas unhas na hora de correr”...

Ótimo, gatha! Depois de cada jogo eu fico um bagaço e preciso de uma consultora já! Bebe breja? Come with me! Se tiver interessada, deixa seu email que informamos locais e horários!

Agora, tenho um assunto de suma importância:

BIXA XOXOTA!

Cada dia que passa eu amo maaaaaaaaaaaaaais a internet e percebo o quanto eu perdi de talento vendo TV. Amo o Youtube! E agora... Amo-te, bixa xoxota!!

Ahaza!


4 de jan. de 2010

Nem sabia que existia!

Babaaaaaado! E não é que essa doida já tinha botado o zigazig-ah dela pra fora e eu nunca tinha visto!!

Olha, gathaaaa... Arrasou no penteado, no zoião borrado, chegou uma hora que me perdi na filosofia toda e não entendi mais nada, mas até fiquei empolgada com essa animação todaaa...

Se joga! Apesar de eu não ter entendido lhufaaaas, adoooooro quando tem uma doida no meio do parque rodopiando que nem uma pomba-gira! Se eu tivesse aí, até dava a mãozinha prela! Eu nem sabia quem era a fofa, parece que é uma atriz de Malhação, mas acho que agora ela já é do mundo!

Meu dia 4 de janeiro, eu comemoro com o 4 de dezembro da phopha!



31 de dez. de 2009

Bom Zigazig-ah 2010!



Dez anos depois... Okay, I’m sorry... Estava ocupada com a paz mundial! De qualquer forma, vim aqui hoje, desejar a todas um bom zigazig-ah para 2010!

Eu e Mary V. estamos vivendo um período lindo das nossas vidas em que não sabemos se nos jogamos da ponte. Nessas horas, as Spice sempre aparecem para salvar a pátria, ou pelo menos para nos dar um puxão de orelha.

A sempre sábia Mel B. já dizia em "Wannabe":

I wanna really, really, really wanna a zigazig-ah.

Eu podia fazer outra tradução como presente Beleza de Garota, mas acho que explicar o conceito, talvez seja mais produtivo:

Zigazig-ah nada mais é do que o direito que você tem de querer.

Não é a toa que está em “Wannabe” (pegou, pegou?)... Ter a liberdade para querer também significa querer com liberdade.

Será que você só quis o que seus pais queriam? O que seu namorado quis? O que sua melhor amiga quis para vocês? O que todo mundo acha que é bom para você? Será que você sabe interpretar suas vontades?

A questão não é o quanto o mundo e o capitalismo são opressores, meu bem!

Você pode arrumar um milhão de motivos para explicar sua vida de sacrifícios: medo de assumir os seus desejos, pois se você se enganar estará sozinha e a culpa será só sua; por preguiça de tomar um caminho mais longo; você ainda pode me dizer que a vida não te deu tempo suficiente para ficar pensando sobre isso, já que suas responsabilidades foram jogadas na sua cara de uma vez. Eu, com certeza, diria isso!

Então, o meu desejo de ano novo é que você não fique nem mais um segundo vivendo dessa forma! O “Santo Querer” implica também o “não-querer”: não quero trabalhar no final de semana. Não quero brigar. Não quero chuchu. Não quero você. Não quero ouvir sua voz. Não. Não. Não!

Mas, eu quero cerveja gelada, quero um vestido fresco, curtíssimo, que não me aperte, quero estar magra, quero comer batata frita, quero dar risada na hora errada, quero ir nadar sozinha de madrugada, quero um abraço, quero um emprego melhor, quero dinheiro, quero música!

So tell me what you want? What you really, really want?

I wanna, I wanna, I wanna, I wanna… I wanna really, really, really wanna a zigazig-ah

Pra mim e pra você também!

obs: outra explicação possível é que zigazig-ah seja um coisa completamente sem sentido, e que só esteja na música pra gente poder dar aquela tremedinha básica no joelho, maraaaaaa... Mas, eu vou ficar com a explicação filosófica-científica!

10 de nov. de 2009

a uniban e a turba

prometo um post com as minhas considerações até o fim da semana.
mas a coluna do Calligaris diz tudo (a da semana passada). pra quem não tem Folha eu copio aqui.

Chorei quando li, o sentimento dele, é aquilo que a gente pensa quando se vê feminista. "não, não acabou o feminismo, o mundo ainda é machista".

***

CONTARDO CALLIGARIS

A turba da Uniban

As turbas têm um ponto em comum: detestam a ideia de que a mulher tenha desejo próprio
NA SEMANA passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.O resultado foi que 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa turba: xingaram, tocaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa.
A história acabou com a jovem estudante trancada na sala de sua turma, com a multidão pressionando, por porta e janelas, pedindo explicitamente que ela fosse entregue para ser estuprada. Alguns colegas, funcionários e professores conseguiram proteger a moça até a chegada da PM, que a tirou da escola sob escolta, mas não pôde evitar que sua saída fosse acompanhada pelo coro dos boçais escandindo: "Pu-ta, pu-ta, pu-ta".
Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um "justo" protesto contra a "inadequação" da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça.
Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre "vendido") de duas maneiras fundamentais: "veados" e "filhos da puta".
Esses insultos são invariavelmente escolhidos por serem, na opinião de ambas as torcidas, os que mais podem ferir os adversários. E o método da escolha é simples: a gente sempre acha que o pior insulto é o que mais nos ofenderia. Ou seja, "veados" e "filhos da puta" são os insultos que todos lançam porque são os que ninguém quer ouvir.Cuidado: "veado", nesse caso, não significa genericamente homossexual. Tanto assim que os ditos "veados", por exemplo, são encorajados vivamente a pegar no sexo de quem os insulta ou a ficar de quatro para que possam ser "usados" por seus ofensores. "Veado", nesse insulto, está mais para "bichinha", "mulherzinha" ou, simplesmente, "mulher".
Quanto a "filho da puta", é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. "Puta", nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.
Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.
O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de "querer"? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer.
A violência e o desprezo aplicados coletivamente pelo grupo só servem para esconder a insuficiência de cada um, se ele tivesse que responder ao desejo e às expectativas de uma parceira, em vez de lhe impor uma transa forçada.
Espero que o Ministério Público persiga os membros da turba da Uniban que incitaram ao estupro. Espero que a jovem estudante encontre um advogado que a ajude a exigir da própria Uniban (incapaz de garantir a segurança de seus alunos) todos os danos morais aos quais ela tem direito. E espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de 700 de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de "Zorba, o Grego", com redação obrigatória no fim?Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.

24 de out. de 2009

Um abraço para minhas amigas

Mais um dia, minha querida, em que você acorda sem desejar.
Outro dia, querida, que você precisa fazer coisas que te amedrontam.
Não se sinta sozinha. Hoje, escrevo para te fazer um carinho.
Podia te dar um abraço, um bombom, retocar-lhe a maquiagem... Passar um lápis preto em seus olhos tão inchados de chorar.
Hoje sou eu quem te faz um carinho, pequena.

Pra não deixar seu coração desbravador se convencer de que você não pode, não é.
Pra não deixar o mundo te dizer o que fazer.
Você é maravilhosa. Brilhante. Inteligente.
Você não teme o ridículo e o mundo se enche de risos quando você sorri.
Sua ousadia é furiosa e vem vestida de vermelho. Rodopiando pelas ruas.

Eles já não te amam mais. Seus pais não podem te dar abrigo. Sua casa é só um monte de tijolos.
Você não admite, mas tenta se refugiar nas regras que o mundo lhe impõe... Faz um grande ato para todos se orgulharem, e assim perdoarem sua maquiagem borrada, seu cabelo desalinhado, sua falta de bom gosto. Assim você tem um caminho, uma direção...

Não faça isso se a sua vontade não é um grito!
Hoje, sou que te amo. É em você que tenho fé. Então, você já pode escolher os próprios sapatos e o jeito de andar...
Hoje, sou eu quem te faz um carinho.
E te aconselho a ir correndo. Correndo o mais rápido que puder e quando tropeçar, estarei lá para os curativos.

4 de out. de 2009

morgana ready-made



(Lygia Pape, Ttéia, 2002. Obra que arrepiou os cabelos do povo na Bienal de Veneza. É Brasil-sil-sil rs)

Acho tão lindo quando as pessoas acreditam em magia, porque daí eu me sinto menos boba de acreditar, de colocar o nome de um desafeto no freezer e "congelar a pessoa", de suspirar pra mim mesma um segredo na hora de dormir esperando que aquele ritual faça ele virar realidade, de queimar foto de ex-namorado e tomar banho de sal grosso. O Jorge Coli hoje na folha fez esse paralelo arte/magia. Ele relacionou magia com a coisa de "acreditar" na obra, a partir do momento em que se acredita operam-se mudanças de visao etc. É isso mesmo. É um nome no freezer, uma foto que você põe fogo pra ver se assim some a dor. A obra existe pra quem acredita, dependendo de quem acredita (um crítico, um comprador) ela vale mais ou menos, tem poderes invisíveis desligados de religiões. É a aura de paganismo que não abandona a arte. Porque, normalmente, quem gosta tem aquele pézinho no terreiro. E vamos diferenciar quem gosta de quem apenas se beneficia, já vi críticos que não sentem nada, só analisam. Seria péssima crítica, só sei ser sentimento com as obras.
Uma obra tem o significado da carta de tarot (a pessoa que vos fala tira tarot), onde vemos as cores, posições dos personagens e existem significados que vão sendo desvelados, vamos cortando véus espessos de "realidade" pra chegar na simbologia que existe naquela situação, com aquela determinada carta, é tudo muito instintivo, exige sensibilidade ao mesmo tempo que exige aquele conhecimento prévio. É a Pont Neuf encapada do Christo e da Jeanne-Claude. A ponte tem o significado de passagem de fases, possuir essa passagem, embrulhar ela como um presente, como um pacote que pode ser entregado, tem lá o seu significado, foi o que ele fez pra comemorar sua cidadania francesa. Eu fico toda arrepiada com essas coisas, mas pra quem não curte é só "uma loucurinha de artista".
E isso já fez muita gente rígida e cheia de razão duvirar da minha capacidade intelectual, ainda faz muitos professores torcerem o nariz e muitas tias velhas me tratarem como adolescente que não faz ideia do que é a vida. Já levei muita bronca, muito pito por ser "leviana": "isso aí é decoração, não serve pra nada", "tarot é idiotice".
No fundo continuo achando muito lindo, com essa palavra bem leviana mesmo "lin-do", tomar esses pitos e saber que existe o "Nós" e o "Eles". Eles não acreditam, logo, o segredo é Nosso. O que a gente vive, por ser acreditado e inventado não pode ser sentido passivamente. "Eles" talvez nunca vão sentir isso como a gente, precisam de mais pra sentirem prazer, mais dinheiro, mais bebida, mais comida, mais conquistas amorosas. O prazer deles é factual enquanto o nosso pode ser inventado.
Eles precisam de dinheiro e de certeza e a gente de piada e de sal grosso.

2 de out. de 2009

pimenta nozóio dozotro

acho que esse post e esse post (em english) dizem tudo. Não me interessa, ele estuprou uma menina, ela poderia ser uma mulher de 30 anos na época e mesmo assim seria crime. Ela disse não e ele não ligou. É estupro e é crime, e impunidade é uma coisa que incomoda. Não me interessa se ele é um gênio, um mundo sem estupro é melhor do que um mundo sem filmes. O comportamento dele é típico de quem não tem limites, pode fazer o que quer baseado em ego, fama, poder, machismo...
Almodovar ter a campanha dele, eu tenho a minha:




1 de out. de 2009

a voz dos outros

Que tal começar a falar com a própria voz? Com o próprio tom, e não aquele tom do "fala direitinho" dos pais e professores? Falar sem a intenção de agradar, apenas ser ouvida, como... um homem faria?
Que tal começar a pensar com a própria cabeça? Porque muito da sua "moral" e daquilo nos acostumamos a chamar de ética não passa de ideologia patriarcal, tão internalizada que parece natural. O que te faz anti-aborto? Quem te fez ser anti-aborto?
77% dos lideres anti-aborto são homens, mas eu aposto que os outros 23% são mulheres agradando aos pais, a deus, aquilo que lhe foi ensinado que era certo. É muito obscurantismo achar que o certo é nosso dever, que o certo deve não apenas existir, mas ser imposto. Isso de "estou certo, você é errado" é medieval, e no fundo vocês sabem, non?


* Tradução: 77% dos líderes anti-aborto são homens, 100% deles nunca ficarão grávidos. É o seu corpo. É a sua decisão. Programa de educação pública pró-escolha. É pró-escolha ou sem-escolha.