10/11/2009
a uniban e a turba
mas a coluna do Calligaris diz tudo (a da semana passada). pra quem não tem Folha eu copio aqui.
Chorei quando li, o sentimento dele, é aquilo que a gente pensa quando se vê feminista. "não, não acabou o feminismo, o mundo ainda é machista".
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CONTARDO CALLIGARIS
A turba da Uniban
As turbas têm um ponto em comum: detestam a ideia de que a mulher tenha desejo próprio
NA SEMANA passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.O resultado foi que 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa turba: xingaram, tocaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa.
A história acabou com a jovem estudante trancada na sala de sua turma, com a multidão pressionando, por porta e janelas, pedindo explicitamente que ela fosse entregue para ser estuprada. Alguns colegas, funcionários e professores conseguiram proteger a moça até a chegada da PM, que a tirou da escola sob escolta, mas não pôde evitar que sua saída fosse acompanhada pelo coro dos boçais escandindo: "Pu-ta, pu-ta, pu-ta".
Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um "justo" protesto contra a "inadequação" da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça.
Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre "vendido") de duas maneiras fundamentais: "veados" e "filhos da puta".
Esses insultos são invariavelmente escolhidos por serem, na opinião de ambas as torcidas, os que mais podem ferir os adversários. E o método da escolha é simples: a gente sempre acha que o pior insulto é o que mais nos ofenderia. Ou seja, "veados" e "filhos da puta" são os insultos que todos lançam porque são os que ninguém quer ouvir.Cuidado: "veado", nesse caso, não significa genericamente homossexual. Tanto assim que os ditos "veados", por exemplo, são encorajados vivamente a pegar no sexo de quem os insulta ou a ficar de quatro para que possam ser "usados" por seus ofensores. "Veado", nesse insulto, está mais para "bichinha", "mulherzinha" ou, simplesmente, "mulher".
Quanto a "filho da puta", é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. "Puta", nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.
Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.
O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de "querer"? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer.
A violência e o desprezo aplicados coletivamente pelo grupo só servem para esconder a insuficiência de cada um, se ele tivesse que responder ao desejo e às expectativas de uma parceira, em vez de lhe impor uma transa forçada.
Espero que o Ministério Público persiga os membros da turba da Uniban que incitaram ao estupro. Espero que a jovem estudante encontre um advogado que a ajude a exigir da própria Uniban (incapaz de garantir a segurança de seus alunos) todos os danos morais aos quais ela tem direito. E espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de 700 de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de "Zorba, o Grego", com redação obrigatória no fim?Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.
24/10/2009
Um abraço para minhas amigas
Mais um dia, minha querida, em que você acorda sem desejar.Outro dia, querida, que você precisa fazer coisas que te amedrontam.
Não se sinta sozinha. Hoje, escrevo para te fazer um carinho.
Podia te dar um abraço, um bombom, retocar-lhe a maquiagem... Passar um lápis preto em seus olhos tão inchados de chorar.
Hoje sou eu quem te faz um carinho, pequena.
Pra não deixar seu coração desbravador se convencer de que você não pode, não é.
Pra não deixar o mundo te dizer o que fazer.
Você é maravilhosa. Brilhante. Inteligente.
Você não teme o ridículo e o mundo se enche de risos quando você sorri.
Sua ousadia é furiosa e vem vestida de vermelho. Rodopiando pelas ruas.
Eles já não te amam mais. Seus pais não podem te dar abrigo. Sua casa é só um monte de tijolos.
Você não admite, mas tenta se refugiar nas regras que o mundo lhe impõe... Faz um grande ato para todos se orgulharem, e assim perdoarem sua maquiagem borrada, seu cabelo desalinhado, sua falta de bom gosto. Assim você tem um caminho, uma direção...
Não faça isso se a sua vontade não é um grito!
Hoje, sou que te amo. É em você que tenho fé. Então, você já pode escolher os próprios sapatos e o jeito de andar...
Hoje, sou eu quem te faz um carinho.
E te aconselho a ir correndo. Correndo o mais rápido que puder e quando tropeçar, estarei lá para os curativos.
04/10/2009
morgana ready-made
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02/10/2009
pimenta nozóio dozotro

01/10/2009
a voz dos outros
Que tal começar a falar com a própria voz? Com o próprio tom, e não aquele tom do "fala direitinho" dos pais e professores? Falar sem a intenção de agradar, apenas ser ouvida, como... um homem faria? 27/09/2009
De estilhaço e de aço

18/09/2009
Contrariando expectativas
Hoje é sexta-feira, 18 de setembro, e o sol is shinning! Segunda acordei com uma gripe que muito se assemelha à gripe A(H1N1)... Se peguei, f*u, pois já contaminei o trabalho, a faculdade e todos que passaram ao meu lado.
Não consegui ir aos treinos de handebol por causa do trabalho. Não consegui ir às aulas da faculdade por causa do trabalho. Trabalhei feito uma louca, pensei na fome das crianças na África, na minha melhor amiga que vai casar de verde, na minha vida que pode acabar sem meu pulmão, nos ônibus lotados, no semestre todo que vem pela frente e...
Começa mais um dia, everybody!
Hoje é sexta-feira, 18 de setembro, e perdi a balada da faculdade por causa do trabalho e do meu pulmão congestionado...
Então, para quem começa o dia nessa mesma alegria que eu, aí vai a Solange! Dica do Rafa, que como eu, chama a fofa de "SOULEEEENGI":
15/09/2009
ms. brightside
Editor quando morre sobe direto pro céu, viu? Fica leve que é uma beleza, porque os pecados a gente paga por aqui mesmo.
A boa notícia do dia é que eu VOU no show do The Killers! Sim, venho aqui dividir a alegria de comprar meus primeiros ingressos pra um show, coisa que eu nunca fiz na minha adolescência perdida. Agora na lista das coisas que perdi na adolescência só falta o namorado abusivo, a amiga traíra, as drogas, vomitar na rua e sexo com estranhos aleatórios (hm... maybe not!)
Honestamente não sei ao certo o que me afastou dos shows até hoje, se foi a multidão, ou a falta de dinheiro, ou minha mãe que não sabe chegar em lugar nenhum da cidade - eu, na adolescência, quando ainda era country-girl-teen, só ia pros lugares dos quais eu soubesse voltar sozinha, caso ela precisasse me buscar seria O fuá, uma vez minha mãe tentou me levar na escola e acabou na Dutra indo pro Rio de Janeiro, depois disso nunca mais, nem pra buscar o diploma ela foi comigo - e numa situação dessas fica difícil ter 16 anos e ir pro Credicard Hall à noite, ou pra Chácara do Jockey. Mas acho que parte desse desinteresse foi ter tido uma turma muito grande, com amigas que sempre tinham uma casa e uma panela de brigadeiro para oferecer no fim de semana, a gente conseguia fazer a diversão do nosso mundinho.
Vamos para o show eu e o chuchuzón, que detesta a banda, mas também nunca foi num show, dois show-virgins, que lindo. Vamos ver quem vai reclamar mais, eu, por causa da muvuca ou ele, por todo o resto (ele não gosta de música alta, esse é o nível da solidariedade desse homem em me acompanhar). O show é dia 21 de novembro, até lá já decorei toda a discografia. Tomara que relembrem os velhos tempos e toquem essa e essa.
To preparando post nervosito feminista pra amanhã - to entre ele e o devaneio que tive sobre a separação entre digital e analógico. Eu queria ser leve todo dia, mas a minha parte engraçada é mais chata que a séria. Entediei só de ler esse post, então amanhã tem coisa séria!
14/09/2009
me perdoa!

Caras leitoras do Uma beleza de garota
Creio que vocês, os leitores, sejam apenas a Billie e o meu pai, mas enfim.
Aqui vos fala uma arrependida blogueira que não conseguiu honrar seu compromisso! Sabe como é, de repente seu condicionador para de funcionar, você fica obcecada pela nova música da Shakira, seu trabalho resolve pirar, as aulas voltam, acontece uma primavera dos livros, seu homem pega gripe suína e numa experiência que só quem vê o after life tem, ele resolve te pedir em casamento!
Pois é, vocês leram, a feminista que vos fala vai se casar no dia 31 de outubro, na flor da idade, mas já no bico do corvo da vadiagem. Casada eu já sou, mas o estado não reconhece quando eu falo que na verdade “a gente é tipo gêmeos siameses” no poupatempo, então vamos casar. Homem adora mulher doida e o chuchu, apesar de não corresponder à definição de “homem” (tipo que assiste futebol e coça o saco) não resistiu à toda a vergonha que eu já fiz ele passar, na verdade, como diria a Billie, achou MARAAA.
Feminista também casa meu povo, abalativamente, claro, com direito a festa em pizzaria, vestido de noiva verde, champagne cor-de-rosa e lua de mel em Paris.
Sim, você ouviu certo de novo, amiga leitora! A lua de mel é em Paris! Prometo retomar meu compromisso de escrever muito aqui no bloguinho do coração antes da viagem e mais ainda depois pra contar todo o loosho de roubar sanduíche de presunto no café da manhã do hotel pra poder almoçar.
Prometo jogar caneca na Monalisa, e na caneca estará escrito “ao uma beleza de garota e nossas irmãs neuróticas!”, ficaremos internacionais!
14/08/2009
Mama África
Rich - Você tá vendo aquele cara? Ele é o único negro de todo o bar... (o bar era, na verdade, o Republic Pub, na Vila Madalena)
Billie - É mesmo. E você por acaso vê alguma mulher negra?
Hoje, cheguei ao trabalho e li a seguinte notícia na Agência Brasil:

Na matéria linkada aí em cima, Sueli Carneiro, diretora do Instituto da Mulher Negra em São Paulo, disse:
“As mulheres negras estão ausentes de todas as estruturas de poder da sociedade. Elas são absolutamente minoritárias em espaço de decisões. É uma condição de subordinação e de subalternação social que precisa ter as causas e as razões discutidas”
As pessoas mais simplistas podem não ver a conexão entre não existir uma mulher negra no bar, e ela estar fora das esferas de poder da sociedade. Um dia, uma professora negra amiga da minha mãe disse uma vez que ela sofria preconceito dos próprios homens negros. A sociedade está caminhando para a superação do preconceito racial, mas ainda é cega para o preconceito de gênero. Este, mais forte e mais silencioso.
29/07/2009
Dente de Leite
O blog My Milk Toof narra as aventuras de Ickle, o dentinho de leite que voltou para casa de seu antigo dono. Ickle tem um amigo chamado Lardee... Como toda grande dupla: Batman e Robin, Pink e Cérebro, Billie Kid e Mary V., Bruno e Marrone...
Adorei!

21/07/2009
Homenageada do dia
Juliette BinocheEstava assistindo ao deliciooooooooooooooso filme Chocolate (2000) - com o delicioso Depp com luzes nos cabelos - pela décima vez no sábado e resolvi que sua personagem "Vianne Rocher" merecia um ponto de destaque no blog:

Mas, aí lembrei que um amiguinho-tarado-nerd da faculdade (como todos os que lá estudam, incluindo minha pessoa) me disse de uma capa da Playboy maraaaaaaavilhosa com ela, ao que dei uma pesquisadinha meio capenga é a edição de novembro de 2007:"Ponto de Destaque"
E a fofa tinha 43 anos quando posou.
Arrasooou!
Luxo-poder-riqueza-quero-ser-ela!
16/07/2009
Lastimável
- Fica quieta! Ajuda nóis, que nóis ajuda você!
E esse foi o breve diálogo que tive com o senhor ladrão que me roubou R$ 9 na segunda-feira dentro do ônibus saindo da faculdade.
Três jovens perseguidos pelo sistema, pelas barbaridades do capitalismo e pela situação crítica social do país assaltaram a mim e a outras seis pessoas no fundo do ônibus na segunda-feira.
Eles levaram alguns celulares, dinheiro que estava dentro da carteira de todos nós, e um bilhete único - para quem não é de Sampa, bilhete único é o mesmo que dizer "o filho da puta levou a merda do vale-transporte de um mês de trampo".
Esse ano entrevistei uma menina de 11 anos que quando o pai ficou desempregado, se tornou empacotadeira no mercado O Dia. Se eu zombo desses putos no blog não é pq sou uma fascista medíocre antigreve. Mas é em respeito a essa menina e a todas as pessoas daquele ônibus.
Ser assaltada no buzão depois de um dia de trabalho. Andar no transporte público com medo. Ter vontade de chorar após perceber o quanto se é vulnerável... Tem preço: e no meu caso custou R$ 9. Por R$ 9... É lastimável...
07/07/2009
Too secsy for your body

Com essas pernas cruzadas... Com o fato dele estar mais "Spice Girls" que ela... Pelo peitoral... Pela ausência de pêlos...
Pelas costas... Pelo fio dental... Pela "Itália" de Berlusconi... Pelo bronzeado...24/06/2009
Sobre uma catadora
Sim. Muitas causas para me engajar ultimamente. Como as pessoas andam extremadas... Eu, hein! De qualquer forma tá rolando greve na USP (e já fui chamada de ignorante em um post abaixo), tá rolando uma discussão sobre um disciplina do meu curso que está polemizando e também a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o fim da obrigatoriedade do diploma para jornalistas.Tá foda acompanhar a tudo, ter opiniões em relação a tudo, terminar o semestre na faculdade, ir bem na revista nova, planejar as férias e fazer hidratação nos cabelos.
De qualquer forma, cá estou eu em mais um post saído no meio de uma profusão de coisas a fazer.
Moda lixo
Para fazer uma reportagem para o Claro!, jornal da faculdade, conheci um casal de catadores de lixo que me rendeu muita história e me renderia ainda mais se eu tivesse tanto poder de geração de conteúdo.
No entanto, tem uma coisa em especial que ficou marcada para mim. A minha ideia era saber se o casal de catadores se vestia com roupas encontradas no lixão. Eles me disseram que há anos não compravam mais roupas. Incrível, missão comprida.
Buuuuut
A Mari, no meio da entrevista, me disse que eu ficaria chocada com a quantidade de coisas boas que ela pegava no lixo. Inclusive, comida.
Coisas realmente boas. "Bandejas inteirinhas de 'Danone'. Pacotes fechados de salsichas. Tudo de ótima qualidade".

Então, parei para pensar nas minhas compras de "ótima qualidade" no mercado e no que significa qualidade para mim. Mas logo afastei isso da cabeça para poder seguir com a pauta. E também seguir com a vida. É difícil ouvir de um outro ser humano o quanto ele se alimenta bem com coisas que encontrou no lixo e ir para casa.
Ao final da entrevista, a Mari me perguntou se eu poderia fazer algo por eles. Eu só respondi que se dissesse que poderia estaria mentindo. Ela me olhou com uma cara de quem entendia perfeitamente. De quem entendia bem mais do que eu.
Muitas causas para me engajar ultimamente...
A reportagem na íntegra está aqui.



"Toda trabalhada na feminilidade" - By Mariana (por email)