26 de ago de 2008

terças de revolta

Às vezes eu me torno meio consciente, mas é raro.
Não posso com a Cecília Gianetti, e como tenho a benção (ou maldição) de escrever num blog que ninguém lê posso citar nomes e desaforos. Principalmente desaforos. Processe-me. Na Folha de hoje (eu leio a Folha, apedreje-me) ela fez um discurso sobre o encerramento das atividades de um cinema do Rio de Janeiro, o Paissandu.

O que eu tenho a ver com isso?

Ela pergunta logo no começo da coluna. Sim! "Quem não mora no Rio não tem nada a ver com isso", diz ela, na Folha de SÃO PAULO. E continua discorrendo sobre como era bom aquele cinema, como nunca entrou uma só película da Lindsay Lohan lá, e como era bom fumar no cinema.

Nada contra cinema, Lindsay Lohan ou cigarro. Na minha opinião, na dose certa os três podem ser úteis. Mas daí pra pintar o tal cinema como a "Vila Madalena perdida" que decidiram tirar dela é mais do que eu posso agüentar, enfatizar o "bom ambiente" como um luz de luz baixa, livrarias, café e fumaça é uma demonstração de europeização ridicula. Isso é coisa daqueles vintage-glam-retrô-whatever que esfregam o moleskine na minha cara enquanto eu tento tomar café da manhã. Nada contra moleskine, de novo. Só contra esse tipo de gente, Gianetti's da vida que nasceram com complexo de Michelle Vian (não sabe quem é? dá-lhe wikipedia, ok?) e adoram se dizer da época errada. Não conseguem enxergar o sol sobre nossas cabeças, o calor do Rio ou o cheiro de São Paulo. Não sabem onde fica Cuiabá. Também nada contra Europa, mas uma realidade como a nossa, não merece se sentir oprimida por não ser européia, essa visão de periferia-centro ignora tradições e novidades, tudo ao mesmo tempo.

Cigarro com cerveja, jornal e café com leite, anotar idéia nova no guardanapo do bar. Eu vi isso na minha infância, vi meu avô (português de nascença, brasileiro por escolha) tocar pandeiro pra família. Existem coisas que vão além do tipo, que vão se desenvolvendo dentro de nós e assim fazem casa na personalidade. Não precisam existir para facilitar flertes e te dar aquele "hype" - ainda não sei o que significa isso, devo estar usando errado.

Como é triste querer ser o que não somos, como deve ser cansativo para quem tenta.

(ai ai, esse Darcy Ribeiro acaba comigo. Estou lendo "O povo brasileiro", recomendo, mas com alguma parcimônia!)


Freguesia do Ó, boa parte da minha vida foi aqui. Essa é a Igreja da Matriz.

2 comentários:

billie k. disse...

muitíssimo obrigada pelo post! E vc usou "hype" de forma correta! Ele é vazio mesmo!

bjus

Anônimo disse...

Cantei muito com esse pandeiro.

Tenho até uma composição minha, inédita, muito conhecida desse pandeiro....

Uma certa "poia" ou "Peppo" tambem dançou com esse pandeiro.

É como você escreveu, é difícil aceitar que não somos o que pensamos ser.